Dicas para curtir a neve em Santiago

Ahhh! A neve! Essa vista linda! Não canso de olhar a Cordilheira, foi amor a primeira vista. Sempre quis conhecer a neve e “o frio não vai mesmo me incomodar”. Aqui vou contar como tivemos a oportunidade de ir e as dicas para que a sua experiência com a neve aqui em Santiago seja a melhor possível.

A primeira vez 

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Eu fui pela primeira vez a Valle Nevado e Farellones com uma agência. E eu fui de graça. Como eu conto aqui e não é segredo pra ninguém, nós não somos turistas convencionais, já estamos há quase quatro meses no Chile, trocamos trabalho por hospedagem e comida, não temos muito dinheiro e economizamos sempre.

Eu entrei em contato com a agência e dei a idéia de fazermos um sorteio em parceria. Eu e o Leo faríamos os passeios, registraríamos tudo e colocaríamos as fotos e vídeos no instagram. Lançamos um sorteio em parceria também com o hostel que estávamos morando/trabalhando. Sorteamos duas diárias para uma pessoa e acompanhante, além dos passeios para conhecer a neve e o Oceano Pacífico (Viña del Mar e Valparaíso). O dono da agência se interessou e combinamos que ele levaria nós dois nesses passeios.

Só que, no final ele só levou eu. Porque foi uma sexta-feira e o Leo estava trabalhando. Eu quis remarcar pra sábado, mas ele disse que era por conta do vídeo, pra eu gravar logo e depois ele levaria nós dois (o que ainda não rolou. Eu sou péssima para cobrar as coisas. Deveria ter deixado tudo acordado nos mínimos detalhes na reunião. Depois fiquei pensando se eu não falhei na comunicação e eles não entenderam que meu perfil no instagram é de casal e para fazer uma propaganda pra eles sempre deveríamos estar nós dois. Acabou que só eu fiz o passeio e até hoje não conhecemos Viña e Valpo 😣).

Enfim, fui eu sozinha com vários casais fazer o passeio Valle Nevado. 😂

O passeio funciona assim: Eles te pegam em casa, passam na loja para alugarmos as roupas, subimos para Valle Nevado (a maior estação de ski), ficamos uma hora lá, depois descemos para Farellones, com algumas paradas em miradores. Saímos de Santiago umas 7:30, e voltamos por volta das 15:30. É um passeio para conhecer a neve voltado para brasileiros. Não dá tempo para fazer nenhuma atividade nos parques.

Não vou mentir, foi muito legal, mesmo sozinha. Porque foi um dia lindo de sol e tinha muita neve. Tirei muitas fotos. Pulei, me joguei, fiz anjinho. Paguei todos os micos que todos pagam quando vêem neve pela primeira vez.

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Isso foi dia 19 de maio. Os parques ainda abririam dias depois, então não tinha muita gente.

Vamos lá contar os micos. Como foi o meu primeiro contato com o frio de verdade, eu estava com uma expectativa enorme. E um medo de passar frio. Coloquei todas as minhas roupas uma por cima da outra. Tipo o Joey naquele episódio de Friends.

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Eu não sabia o que esperar. Usei 4 meias (isso não me arrependo), 4 calças (2 leggings, um jeans e a calça impermeável que aluguei) 4 casacos (dois desses casaquinhos de lã, uma jaqueta bem quente que eu tenho e outra impermeável). Fui com minha bota waterproof que comprei no brechó (com um medo danado dela não ser tão waterproof assim).

Quando paramos na loja de aluguel de roupa, eu não sabia nada sobre roupas de frio e o que realmente eu precisava alugar ou não. Acontece que o meu casaco (também orgulhosamente comprado no brechó) era à prova d’água. Mas e a dúvida? Segui meu instinto e não aluguei casaco nem bota e deu certo! Minhas botas são ótimas e meu casaco também. Aluguei apenas luvas e calça. Nessa brincadeira foram 12.000 pesos chilenos (60 reais).

Quando começamos a subir e começaram as curvas eu fiquei bem enjoada e comecei a suar. Era calor. Tirei a jaqueta debaixo e fiquei com 3 casacos. 😂

Uma coisa chata que notei que várias agências fazem é não preparar o cliente sobre o quanto ele vai gastar com a roupa. A gente fica sabendo só quando já está na loja. As luvas que aluguei naquele dia me custaram 6mil pesos chilenos (30 reais), sendo que vi das mesmas no camelô em Santiago para venda por 3mil (15 reais). Nem era de boa qualidade, sabe…

[Hoje, trabalhando numa loja de aluguel de roupas, sei que eu não precisaria ter usado isso tudo de roupa e ter passado o calor que passei da primeira vez.]

A segunda experiência (primeira do Leo)

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Mais de um mês depois, aqui estamos em um novo workaway.Saímos do hostal que estávamos em Providência e conseguimos um workaway em Las Condes. Aqui é uma loja de aluguel de equipamentos e roupas de ski e snowboard. Trabalhamos na loja 5 horas por dia, 5 dias na semana. Temos um quarto só pra gente na casa atrás da loja. Temos também todas as refeições incluídas e recebemos as horas extras (caso precisem de nós fora do nosso horário).

Graças a este workaway, temos a oportunidade de usar as roupas e equipamentos daqui sem pagar nada. E ainda, conseguimos subir a montanha em uma van que faz transporte para o Valle Nevado também de graça. O nosso host liga pra o motorista e ele nos encaixa na van que não está lotada.

Desta vez usei calça, jaqueta, botas e luvas aqui da loja. Por baixo da jaqueta apenas um casaquinho polar. Por baixo na calça apenas uma calça legging (não precisaria usar nada, na verdade eu acordei em cima da hora e botei por cima pra ganhar tempo. As roupas aqui são próprias para a prática de esportes de inverno e trabalham diretamente com a pele. Coisa tecnológica, mesmo! A qualidade absurda). Leo também usou uma segunda pele por baixo da calça e um casaco só por baixo da jaqueta.
Falamos com o nosso host na sexta a noite que queríamos subir no dia seguinte, ele arranjou o transporte pra nós. Tudo certo. A van nos buscou aqui no sábado às 9h.

Só brasileiros na van. Ouvimos funk o caminho todo. 😂 Coitado do motorista chileno! Ficou horrorizado! Tinha uma galera animada demais que ia esquiar. Alguns pela primeira vez. Outros já estavam acostumados.

Essa van é da SkiTotal. Eles levam pela manhã e voltam as 17h em ponto. Mas só vale a pena pra quem vai esquiar. Chegamos lá 11:30. É muito tempo para ir sem ter o que fazer lá. Por isso não recomendo pra você que só que ir conhecer.

O dia estava nublado. Não é a mesma coisa. É muito mais feliz ir num dia de sol. Mas ainda assim vale a pena. A paisagem é lindíssima.

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A van nos deixa em frente a bilheteria do Valle Nevado. Numa parte mais baixa de onde ficam os hotéis. Tiramos algumas fotos ali. Leo fez o anjinho, jogamos bolas de neve um no outro. Vimos uma raposa linda andando plena na neve. Leo tentou fazer o boneco de neve e não conseguiu (eu falei que é mais difícil do que parece!)

Isso tudo e ainda era meio dia! 😑

O que fazer até as 17h?

Pois bem. Tem um ônibus aberto (estilo safari) cortesia do Valle Nevado que leva até a parte de cima. Onde tem os hotéis. Pegamos o ônibus e fomos conhecer. Queríamos comer também. Subimos a essa outra parte. Para economizar, ao invés de comer no restaurante o hotel, fomos no mercadinho em forma de iglu que tem lá fora. Ainda assim super caro. Comemos batata lays, queijo quente e coca cola. Enrolamos lá nesse iglu porque estava quentinho.

Foi aí que tivemos a brilhante ideia de perguntar onde é o banheiro. E descobrimos que atrás do mercadinho tem uma área de funcionários que tem uma quadra de futebol e umas mesas de sinuca. Tem banheiros públicos e wifi (nao estava funcionando a aberta). Fomos nesse banheiro e depois vimos que, subindo uma escadinha, tinham vários sofás e uma lojinha que vende coisas com preço normal de Santiago (o mesmo café do mercadinho do iglu estava 3x mais barato).

Leo estava com dor de cabeça, então foi nesse sofá mesmo que deitamos pra fazer hora e fugir do frio. Não tem o que fazer lá em cima pra quem não vai esquiar.

Ficamos ali, dormimos, tomamos um café, quando deu 16h fomos pra fila do ônibus pra descer e encontrar nosso motorista. Tiramos mais algumas fotos e foi esse nosso passeio.

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Dicas

Tem uma coisa que ninguém comenta: a altitude pode ter uns efeitos colaterais bem chatinhos. Ficamos com dor de cabeça lá em cima. E esta foia reclamacao de quase todos na volta. por isso, a primeira dica é: BEBA MUITA ÁGUA. Leve uma garrafinha e beba uns 3L.

Também não esqueça o PROTETOR SOLAR, PROTETOR LABIAL e ÓCULOS ESCUROS mesmo se o dia estiver nublado (ninguém quer queimar a retina).

Se agasalhe bem. Utilize ROUPAS, BOTAS E LUVAS IMPERMEÁVEIS para poder brincar na neve sem se molhar. Não esqueça GORRO, CACHECOL e sem LUVAS não dá pra sobreviver. Use MEIAS GROSSAS e quentinhas. Ninguém merece sentir frio!

É mais bonito ir num dia de sol. É mais tranquilo ir num dia de semana.

Eu achei a vista de Farellones mais bonita porque tem árvores e pinheiros cobertos de neve, além de muitas cabanas de madeira super charmosas. Pra quem não sabe esquiar e quem vai com crianças, este parque tem muito mais opções como tirolesa e esqui bunda.

Agora, muita gente pergunta se vale mais a pena alugar ou comprar roupas. Eu acho que depende. Se a sua intenção é ir um dia  nas montanhas pra conhecer a neve, alugue. Para que vai comprar uma roupa que não vai ter nem onde usar no Brasil?

Se vai voltar mais vezes, vai aprender esquiar, pode valer a pena comprar. Na Rua Bandeira, que fica no centro de Santiago, tem vários brechós e o que mais tem é roupa de ski barata. Eu não compraria no Brasil. em Santiago tem muito mais opcao e os preços são muito melhores.

Não é fácil chegar as estações de ski. Não existe linha de ônibus que vá pra lá. Uber também não te leva (já vimos gente tentar essa opção).

Não acho legal alugar um carro e subir por conta própria porque além da estrada ser super perigosa, com umas 60 curvas fechadas, há gelo na pista e você precisa colocar correntes nos pneus. Tem que saber. Se não sabe, não ponha sua vida em risco.

A melhor opção é ir com agência de turismo. Eles te pegam no hotel, param na loja de aluguel de roupa no caminho, te levam pra conhecer Valle Nevado e Farellones e te deixam em casa.

Agora vamos aos valores. Em média as agências estão cobrando R$100,00 nesse passeio. O aluguel completo de roupas ( jaqueta, calça, botas e luvas) pode sair entre R$100 e R$150. Comer lá em cima é  muito caro (pensa em preços de comida de aeroporto 😂). Eu não vou nem começar a falar de valores de aluguel de equipamento de ski, snowboard, ticket de diária nas estações de ski, aulas…

Então esteja preparado para gastas vários pesos chilenos.

Se a grana está curta, você é mochileiro gente como a gente, quer muito ver neve saiba que nada é impossível. Aqui no Chile é fácil “hacer dedo” (pegar carona). Você pega um ônibus até o final de Las Condes e desce no Posto Shell que fica no Camino a Farellones. Pede carona aí bem na subida.

Tem muita gente que faz isso. Nós vimos.

Agora só para os fortes: Tem muita gente que sobe de bike. 😲

 

É isso! tentei juntar num post só as experiencias e dicas do que é legal fazer por aqui!Ainda vamos tentar fazer um pouco de ski e snowboard (assim espero). Mais uma vez, economizando o máximo. Da próxima vez, levaremos água e também comidinhas porque lá em cima é outro mundo. hahaha

 

Sobre este caminho que escolhemos

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Leo quem mostrou esse vídeo de Maria Bethania semanas antes da nossa viagem, quando eu estava coberta de ansiedade. Pessoas dizendo “Vem por aqui” e eu irritada com elas. Algumas pessoas não conseguem ir pelo mesmo caminho que a maioria. Nós bem que tentamos!

 

Podem nos chamar de loucos. Saímos do Brasil com passagem só de ida, levamos pouco dinheiro (e ainda fomos furtados), sem roteiro pré programado (sempre que esboçamos um roteiro, as circunstancias nos fazem mudar de planos bruscamente), sem nenhuma garantia de que conseguiríamos fazer dinheiro pelo caminho, sem certeza de nada. Só aquela vontade de sempre de viajar e de morar fora unido com o bom e velho “é agora ou nunca”.

Aqui estamos, em nosso terceiro workaway, aos pés da majestosa Cordilheira dos Andes, no primeiro dia do nosso primeiro inverno de verdade. Nesses quase quatro meses não nos faltou absolutamente nada. Não passamos fome, nem frio, não faltou dinheiro (nem sobrou também! hehehe), ganhamos novos amigos e muita história pra contar.

Não me arrependo nem por um segundo de ter feito a escolha de seguir por este caminho nomade. É incerto, e, por isso é tao bom.

 

Bella – um texto sobre aborto espontâneo

Ela chegou quando eu não esperava. Eu não sabia que queria tanto ter uma filha. Foi uma alegria imensa. Uma descoberta incrível. O melhor presente de aniversário que eu poderia receber. O teste positivo de gravidez. 

Eu já estava desconfiada. A minha menstruação nunca atrasou mais de um dia. Se já tinham cinco dias de atraso, que mais poderia ser?

O momento não era dos melhores. Os nossos salários mal pagavam as contas. Vivendo de aluguel com um gato e um cachorro para alimentar.

Mas a gente ia fazer dar certo. Tinha que dar certo, né?

Nada nunca mais foi igual. Eu me preocupava com a saúde, me alimentava melhor. Parei de fazer esforço físico (porque dizem que os três primeiros meses são perigosos… depois cheguei a conclusão que o que é pra ser, é. Tem gente que descobre que tá grávida no quarto mês).

Eu tive muito medo. Medo de perder, medo de não saber cuidar, medo de não ter condições de dar uma vida boa. Chorava à toa.

Eu tive muito sono. Cansaço. Um pouco de enjoo quando andava de ônibus.

Mas eu fui tão feliz. Imaginando como seria. Eu sentia que era uma menina e o nome dela é Bella.

Eu já amava ela mais que tudo. Daqui pra frente tudo seria pra ela.

Até que um dia ela se foi. Parece que só veio mesmo pra mudar os pais. Pra unir a gente e tirar tudo do lugar que estava. Ela fez uma revolução.

Porque depois da Bella nada mais estava igual.  Tudo que antes parecia ser importante agora não era mais. 

Fomos da mais alta alegria a mais profunda tristeza. Queria morrer. Por que ela não podia viver?

Foram dias terríveis. Só quem passou pelo mesmo entende. Mas eu me entendi com Deus. Devia ter uma razão pra isso. Algo maior que eu não podia ver.

Mesmo que eu ainda me lembre todos os dias que a Bella poderia estar aqui crescendo junto com o priminho.

Hoje ela teria 4 meses. 

Por ela eu abriria mão de tudo. Gosto de pensar que a perda dela me fez repensar a minha vida, lembrar sonhos antigos, mudar a direção. 

Depois que ela se foi a gente não quis ficar mais no mesmo lugar. Acho que ela causou isso em nós. Tanta coisa mudou. 
E por ela eu sigo meus sonhos. 

Por ela eu não vou reclamar. 

Eu vou chorar mas eu não vou sofrer.

Eu vou ser uma pessoa melhor, por ela, pela irmão(ã) ou irmãos(ãs) dela. 

Sou grata. Porque hoje estou em paz. Lembro com amor da Bella em cada nova paisagem, em cada criança que vejo, cada pôr do sol, cada praia, cada montanha, cada chuva, cada floquinho de neve.

Eu nunca vou te levar pro ballet, mas pra sempre comigo no meu coração, minha filhinha, meu amor.
***

Aborto espontâneo
Ninguém fala sobre isso, porque é muito difícil, é doloroso, é complicado. As pessoas parecem não entender como pode haver uma ligação tão forte com aquele pequeno ser em tão pouco tempo (perdi meu bebê com 12 semanas). Não entendem que é, sim, perder um filho.

Hoje lembrei que há exatamente um ano comecei a desconfiar que estava grávida. Esperei até o dia do meu aniversário, 29 de maio de 2016, pra fazer o teste de farmácia. 

Por isso resolvi escrever. Dar um pouco a entender o que passa pela cabeça de quem viveu essa experiência. 

  1. O aborto espontâneo é mais comum do que você possa imaginar. Uma em cada quatro gestações termina em um aborto espontâneo. E, como o nome sugere, a mãe não tem absolutamente culpa nenhuma.
  2. No hospital, você recebe a notícia da maneira mais ridícula, você fica na mesma sala de mães em trabalho de parto, e é muito sangue, você chora, você escuta coisas do tipo “Na hora de fazer foi bom né.”, “Mas você queria mesmo ter esse bebê?”, você sente muita dor, você fica mais tempo do que o necessário porque não tem ninguém pra fazer a ultra… 
  3. É um sentimento terrível. É uma tristeza. Uma culpa. Você se sente uma merda. Que tem algo de errado com você. Que para a única coisa que você deveria servir, gerar uma vida, e você fracassou. Aí você chega até a ter pensamentos suicidas.
  4. Chegar em casa é outro terror. Você veio do hospital sem o bebê. É um vazio aterrorizante. Você chora mais.
  5. Você continua sangrando por mais 15 dias. E isso só te faz lembrar mais de tudo e ficar remoendo esse sentimento ruim.
  6. Depois ainda tem que lidar com pessoas que sabiam que você estava grávida (e olha que você nem contou pra muita gente, não fez post no Facebook nem nada). As pessoas podem até pensar que estão te ajudando com os conselhos como “Reage”, “Bola pra frente”, “Fica assim não, você é nova, vai ter outros.”… Tolinhos. Nada do que eles dizem faz você se sentir melhor, você não quer ver/ouvir ninguém.
  7. E lidar com as pessoas mais sem noção da vida que falam coisas do tipo “Nossa, o que VOCÊ fez?”,” Pegou peso?”, “Fez esforço?”, “Comeu canela?”, “Mas você queria mesmo ter esse bebê?” (escuta essa de novo)
  8. Depois de semanas lidar com os desavisados que perguntam “Como vai, mamãe?”. Que saco ficar explicando o que você mesmo não entende.
  9. Depois disso você morre de medo de engravidar novamente. Sempre vem um pensamento ruim de que pode acontecer de novo. E que não vai conseguir passar por tudo isso outra vez.

    Para saber mais sobre o assunto:

    https://brasil.babycenter.com/a1500630/aborto-espontâneo

    Adaptações no Chile

    Estive pensando em como essa experiência chilena têm sido maravilhosa e resolvi listar algumas coisas que mudaram na nossa vida desde que chegamos no Chile. As adaptações e reinvenções que tivemos de fazer.

    Confesso que eu já sabia que era desapegada e flexível, mas estou surpreendida do quanto! As coisas que eu pensava que seriam mais difíceis estamos tirando de letra. São elas:

    • O clima seco

    Se você já veio a Santiago vai saber exatamente o que eu estou falando. Aqui o clima é muito diferente do Rio. O nariz, os lábios e a garganta automaticamente secam já no aeroporto. Posso dizer que meus melhores amigos nos primeiros dias foram o soro fisiológico e a manteiga de cacau.

    Agora a poluição é a única coisa que me incomoda de verdade aqui em Santiago. Como a cidade é cercada pela Cordilheira dos Andes e a gente não consegue ver? Isso me frustra profundamente. Só consegui ver a vista real daqui da frente do hostel depois que choveu por uns dias.

    • Aprender espanhol (chilenês)

    Se você pensa que fala espanhol espere até estar em uma roda de amigos falando chilenês. Eles falam super rápido e têm muitas gírias só deles (eu vou escrever um post só sobre isso. O chilenês é muito interessante e engraçado). Fico super orgulhosa quando um chileno elogia meu español ou quando eu consigo entender tudo o que dizem sem fazer tanto esforço mental.

    • Água

    Todo mundo fala que a água do Chile é horrível, que tem que comprar água e tal.  Ela realmente não é boa num primeiro momento. Não é insípida (como aprendemos na escola que ela deveria ser). Mas eu penso assim: Todo chileno toma e ninguém morre. Se estou aqui quero viver o máximo de coisas como eles e isso inclui beber água da torneira. Nos primeiros dias tive uns revertérios. Mas logo passou e sempre bebo água. Em Pichilemu a água é mais gostosa. Igual a água mineral que compramos aí.

    • Alimentação

    Aqui temos que esquentar a barriga no fogão mesmo (se não quisermos ficar falidos na rua da amargura). Nossos hábitos alimentares tiveram que ser reinventados e adaptados a nossa realidade aqui.

    Exemplo? No Brasil nós comíamos carne todo dia. Aqui isso é luxo. A carne é cara. Até ovo é caro. Digamos que redescobrimos os vegetais e aprendemos a fazer coisas diferentes, como comer abacate (que pra eles é “palta”) no cachorro quente.

    •  Vida de hostel
    Vuelta al Mundo Hostel: Nossa casa em Santiago.

    Como já contei antes, nós trabalhamos em troca de hospedagem. Confesso que não acreditava que iríamos gostar muito se tivéssemos que ficar em quartos compartilhados. Isso poderia ser um problema. Pois, desde que nos casamos (final de 2012) sempre tivemos nosso cantinho e era raridade receber visitas. Mas, já estamos morando no segundo hostel. No Hostel Patiperro em Pichilemu já dormimos em quarto compartilhado por uns dias com pessoas desconhecidas (que graças a Deus não roncavam). E aqui no Hostel Vuelta al Mundo temos um quarto só pra a gente.

    Na verdade estamos adorando morar em Hostel. Porque temos conhecidos pessoas maravilhosas de todo canto do mundo.

    • Trabalhos domésticos
    Varrendo o quintal

    Depois dessa experiência sou uma nova dona de casa. Confesso que sempre fiz tudo (sempre com muita preguiça). Agora tenho a rotina que é acordar, tomar café e começar a limpeza. E eu pretendo levar isso pra vida quando tivermos a nossa própria casa (não sei onde e quando mas uma hora vamos parar em algum lugar).

    Abrindo parênteses com relação a isso. No Brasil somos bem neuróticos com relação a limpeza. Nós jogamos água para lavar os pisos da cozinha e banheiros (tanto que a maioria das casas tem ralos nesses cômodos). Aqui não é assim. Se você mora num apartamento e vai lavar a varanda vai levar é uma bela multa (os brasileiros que vêm morar no Chile sempre vão lavar a varanda e se ferram).

    Depois eu parei pra refletir e percebi que não é que o brasileiro seja neurótico e o chileno seja preguiçoso. O clima aqui é muito diferente. Se a gente não limpar muito bem num clima tropical há uma proliferação de baratas, ratos, moscas. Em clima mais seco, não. Se pode relaxar mais um pouco.

    •  Frio. “Winter is comming!”

    Eu sei que ainda não chegou o inverno. E isso que estamos passando agora não é frio ainda para quem já passou um inverno aqui (agora no outono a temperatura mínima é de 5°C e a máxima de 20°C).

    Mas nós não tínhamos nem roupa para isso. Tivemos que comprar tudo aqui e ainda faltam “unas cositas mas” para quando chegar o tão esperado inverno.

    • Dormir de pijama polar

     

    O meu nao é tao lindo assim!

     

    Por falar em frio. Dormir só de sutiã e calcinha nunca mais! Aqui uso um pijama polar: Calça e casaquinho de poliéster. Mesmo quando não está frio debaixo do edredon e da frazada (uma manta também de poliéster).

    Até porque nunca se sabe quando vai ter um terremoto e se eu tiver que sair correndo melhor estar vestida e quentinha.

    • Andar e andar (a pé, de ônibus e de metrô.

    Viemos de uma cidade pequena e tínhamos uma moto. Lá não tem nem metrô. Eu andava de onibus ou van. Então essa foi mais uma adaptação. Mas até que é bem simples e fácil andar de metrô aqui. (com a ajuda do Google Maps é moleza!) Os ônibus são bem feios e velhos mas o sistema funciona bem.

    E não é difícil se localizar aqui. Nos últimos dias não estou mais tão dependente do Google Maps. Acho que já posso ser guia turística.

    Arte de rua. Centro de Santiago (Rua Santo Domingo)

    ********

    É isso, adoramos o Chile. Quero conhecer muito mais lugares e pessoas aqui!

    Tem alguma coisa dessas que você não acostumaria? Deixa aí nos comentários.

    😉

    Dois meses no Chile!

    Gente, como o tempo voa! Parece que foi ontem que estávamos subindo no avião pra essa vida nova e louca. Não sabíamos o que esperar. Não partimos com um itinerário pré definido. Se você me perguntar agora onde estaremos daqui a um mês eu não vou saber responder com certeza. Isso pode parecer estranho para a maioria das pessoas, mas, para mim é sensacional.

    Até agora não nos faltou nada. Isso me surpreende a cada dia. Nós estamos realmente felizes. Mesmo depois de passarmos por um perrengue master (que eu contei aqui), em nenhum momento duvidamos ou nos arrependemos da decisão de viver essa vida nômade.

    Nesses últimos meses conhecemos muitos lugares novos, estamos aprendendo espanhol (já conseguimos nos comunicar e entender muito bem, e olha que aqui no Chile é complicado, eles tem muitas gírias e um sotaque muito difícil, falam super rápido), conhecemos pessoas maravilhosas de várias partes do mundo, provamos muitas comidas e bebidas diferentes, mudamos nossos hábitos alimentares, fizemos planos, mudamos esses planos,  rimos da barriga doer, cantamos e dançamos muito reggaeton, tivemos tempo de apreciar lindos sunsets, senti um terremoto, morri de medo de tsunami, Leo teve festa surpresa… Enfim, cada dia um aprendizado novo, situações diferentes.

    Não estamos vivendo como turistas, até porque turista tem dinheiro pra gastar, né? Tem sido mais que turismo, tem sido um intercâmbio cultural. Procuramos programas gratuitos para fazer e na maior parte do tempo estamos conhecendo gente nova. Isso é muito enriquecedor. Trabalhamos em troca de hospedagem e café da manha (já contei sobre isso aqui). Como o pouco dinheiro que tínhamos nos perdemos, precisamos ir arrumando trabalho por onde passamos, aí que entram os dotes do Leo. Ele sabe fazer muitas coisas relacionadas a construção. O famoso “faz-tudo”, ou “marido de aluguel”, também conhecido como “handyman”. E isso tem nos salvado! Quando a gente pensa que vai ficar sem dinheiro, surge “una pega”, como dizem os chilenos (para nós, “um bico”, “um trampo”). Assim vamos vivendo, trabalhando no que aparece. Descobrimos que dá pra viver com pouco dinheiro. Descobrimos que ainda tem muita gente boa no mundo disposta a ajudar mesmo sem te conhecer muito bem.

    Quando eu paro e penso em todas as dificuldades que tivemos ainda no Brasil. Quando ambos perdemos os empregos tivemos que nos reinventar e passamos a viver com menos. Parece que tudo de ruim que passamos estava nos preparando para viver essa vida nômade. Hoje não ficamos mais desesperados, porque sabemos que sempre no ultimo minuto tudo se ajeita. E muito cliché dizer que tudo acontece por uma razão, mas é verdade. Hoje agradeço a Deus pelos perrengues, pois eles nos prepararam pra viver isso aqui.

    Então é isso, gente, só queria passar e contar mais ou menos como tem sido essa nossa viagem. Muitas pessoas me perguntaram como a gente faz para se manter por aqui, e acho que agora ficou mais claro. O nosso plano inicialmente é ficar no máximo um mês em cada workaway, então, nesse hostel maravilhoso que estamos agora (Vuelta al mundo Hostel em Providencia, Santiago), vamos ficar até o fim do mês. Já conseguimos agendar o próximo. Será num lugar incrível que eu conto depois onde é.

    No mais, queria dizer que o que eu pretendo com esse blog é inspirar pessoas como eu. Que não tem dinheiro, mas tem muita vontade de conhecer o mundo. O que eu souber de dicas de viagens possíveis eu vou compartilhar com vocês. É possível, sim, viajar e trabalhar ao mesmo tempo. Se é isso que você quer fazer, vai lá! Tenta! Mesmo se nada der certo, teremos muita história pra contar! O pior de tudo deve ser pensar lá na frente “E se eu tivesse ido?”.

    ***

    Este post é dedicado a minha amiga Aline Moreira, que me deu um “puxão de orelha” hoje. Ela disse que eu deveria escrever com mais frequência. E, realmente, eu tenho muitas ideias. Eu prometo que escreverei.

    12 coisas que aprendi sobre terremotos aqui no Chile

    O que eu aprendi nesses quase dois meses no Chile:

    1. Os Chilenos estão super acostumados e são super tranquilos quanto a terremotos. Vi um chileno dizer que ele nem levanta da cama se for abaixo de 8°;
    2.  Aqui no Chile os terremotos têm diferentes nomes, de acordo com a intensidade: os mais fracos são chamados temblores, e os mais fortes, terremotos;
    3. Se você estiver aqui e passar por um temblor, cola em um Chileno e faz o que ele fizer;
    4. Não adianta correr, que pra onde você for estará tremendo, “catchay”?
    5. Se receber alerta de evacuação por risco de tsunami, corre!
    6. Todo dia tem terremoto no Chile. É o país mais sísmico do mundo. (Sim eu vou chamar de terremoto, porque não sou chilena e um 4° me assustou pacas. E no Brasil só tem um nome pra terra tremer e esse nome é TERREMOTO.)
    7. Aqui as construções estão preparadas para os terremotos. Principalmente os prédios. E quanto mais alto você estiver, mais o prédio vai balançar, se você está andando na rua ou no metrô, provavelmente nem vai sentir nada ( já perdi vários por estar na rua ou dormindo);
    8. A orientação é abrir as portas (porque elas podem travar) e ficar debaixo delas esperando o terremoto passar;
    9. Depois de um terremoto grande, vêm as réplicas, ou seja, muitos outros menores;
    10. Existe um app que consegue avisar com alguns segundos de antecedência: o Sismo Detector. Ontem me avisou e logo depois veio o terremoto. O celular de todos também avisou sobre a evacuação (mesmo quem não tinha o app) e, em seguida cancelou. Uffaaa.
    11. É bom ter um kit já preparado para caso de ter que sair de casa. Prepare uma mochila com: água, kit primeiros socorros, rádio portátil, comida enlatada, dinheiro, lanterna, chaves da casa e carro, barras de cereal e documentos.
    12. Tente manter a calma. [Eu não consegui porque morro de medo de tsunami e estou em frente ao mar.] Mas se um chileno está apavorado, aí sim… 

    ****

    Isso é tudo que eu me lembro… hehehhe
    É muito louco sentir um terremoto. É diferente de tudo que já passei. É uma mistura de medo, desespero e ao mesmo tempo uma adrenalina legal. É ruim mas é bom. Não sei explicar… Mas não quero sentir um de 7°. Seria muito desesperador. Também não quero que tenha outro Offshore, com risco de tsunami. Receber o aviso de evacuação foi horrível! 

    Mas depois que passou e a gente começa a pensar com a razão, estamos bem perto do morro, daria tempo de fugir. Não precisam se preocupar, ok?

    App Sismo Detector. Cada pin é um terremoto. Tudo isso nas últimas 24h. Estamos no pontinho azul.

    Mensagens Alerta Evacuação de Tsunami e Cancelamento
    App Sismo Detector

    Vamos falar de Workaway

    Quando conheci o Workaway fiquei louca. Muito animada. Pois finalmente eu vi na minha frente uma possibilidade real de poder viajar com muito pouco dinheiro.

    Se você sonha viajar mas pensa que isso é coisa para gente rica. Que pobre tem que juntar dinheiro por muito tempo e parcelar um pacote com uma agência de turismo, ficar no máximo uma semana em um hotel e fazer uns passeios corridos e está muito bom. Será que esta é a melhor forma de aproveitar um lugar?

    Voltando ao Workaway. Eu sabia que os mochileiros conseguiam trabalhar em hostels em troca de hospedagem, mas achava que eles iam até o lugar para pedir. Achava muito arriscado chegar até a cidade e depois não encontrar nada. Até que em algum vídeo do youtube conheci a a plataforma do Workaway. E o mundo de possibilidades que ela proporciona.

    Eu não estou exagerando. Esta plataforma conecta os workawayers (voluntários) aos hosts (anfitriões). Onde estão os hosts? Pelo mundo todo! São 155 países e mais de 26917 hosts pelo mundo.

    Quer trabalhar em um host badalado no Rio de Janeiro? Numa fazenda na Espanha? Num castelo na Escócia? Numa ONG na África? 

    E quando eu digo trabalho, não falo sobre trabalho pesado, 8h por dia sem folga. São no máximo 5h por dia, geralmente 2 ou 3 folgas na semana. Alguns anfitriões oferecem apenas uma cama, outros cama e café da manhã, outros todas as refeições e quarto privado. 

    Os trabalhos são variados: fotografia, criação de websites, manutenção, limpeza, recepção, ensino de idiomas, cuidado de animais, cuidado de crianças, decoração, etc.

    Você pode começar a procurar os hosts clicando aqui. Mas para poder entrar em contato com os hosts você precisa se registrar no site, completar o seu perfil e pagar a taxa de USD 28.00 (individual) ou USD 38.00 (casal)  que vale por um ano.

    Fiz o meu cadastro no Workaway no dia 15 de janeiro. Enviei algumas mensagens e no dia 17 já tinha nosso primeiro trabalho confirmado. Não sei se foi sorte, mas achei que foi bem rápido. Procurei com dois meses de antecedência.

    Eu procuro hosts que tenham boas referências. Você pode conversar com pessoas que deixaram as referências e perguntar mais detalhes, conversar com os hosts, deixar tudo bem claro antes de ir. E, claro, como você vai chegar lá é por sua conta e se para entrar no país precisa de visto também você terá que ver tudo isso.

    Os meus planos foram ficar duas semanas em Santiago e depois ir cada vez mais para o Sul. Então o primeiro destino escolhido foi a cidade de Pichilemu. Eu fiquei encantada com o Hostal Patiperro de frente para o mar na praia de Punta Lobos.

    Como eu gosto de ser a “diferentona”, ainda não fui conhecer esses destinos mais óbvios: Viña del Mar e Valparaíso. Queria economizar, então não fizemos esses passeios que todas as agências de turismo oferecem (se eu pudesse prever que teríamos todo nosso dinheiro furtado, teria gasto mais hahaha). Em Santiago fizemos apenas o que era de graça. 

    Pichilemu é a capital do surf Chilena. Recebe muitos turistas do mundo todo, mas a maioria dos brasileiros não conhece. Pois é mais fácil conhecer Viña del Mar e Valparaíso, que estão mais próximas de Santiago.
    Andar de ônibus aqui no Chile é bem mais barato que no Brasil. De Santiago a Pichilemu são 4h de viagem e cada passagem saiu por mais ou menos R$ 30,00. Também dá pra andar de carona. Mas a gente preferiu pegar ônibus mesmo.

    O nosso objetivo com workaway, além de gastar o mínimo possível, é aprender espanhol, conhecer gente nova (viajantes do mundo todo), conhecer mais sobre a cultura Chilena, conhecer os lugares lindos que são mais escondidos, fora da rota óbvia dos turistas. 

    Chegamos a Pichilemu no dia 24 de março, por volta das 15h. Estava um dia nublado. Quinta-feira não tinha muita gente na rua. As placas de “rota de fuga de tsunami” num primeiro momento assustaram. Cadê as pessoas? 

    Mas ao chegar no hostel fomos tão bem recebidos, que esta primeira impressão de “cidade fantasma” logo se apagou. Esse horário as pessoas provavelmente estavam no trabalho ou almoçando. A cidade não é fantasma! Hehehe

    Neste momento aqui no Hostal Patiperro há workawayers da Inglaterra, França,  Bélgica, Alemanha, Espanha e Brasil. Nós dividimos as tarefas de limpeza e manutenção e o trabalho não fica pesado para ninguém. Na verdade, trabalhamos menos que as 5h de trabalho diárias que săo previstas no workaway. Ontem mesmo eu trabalhamos somente 1h. Depende do dia da semana e o número de voluntários que estão aqui. Esta semana muitos irão embora e o trabalho vai aumentar. Mas nada demais.

    No tempo livre podemos usar todas as dependências do hostel, como a piscina, mesa de ping-pong, redes, sofás, TV, Wi-fi. Aqui nos sentimos em casa. Temos café da manhã com os hóspedes e para o almoço e jantar fazemos uma vaquinha entre a equipe e algum de nós cozinha.

    É uma pena que o brasileiro não tem hábito de viajar assim. Para o europeu isso é comum. Mochilar, tirar um ano sabático. Utilizar o workaway e o couchsurfing. O que vejo é que a maioria dos brasileiros acha loucura fazer isso. Ficar na casa de alguém que você não conhece ou hospedar um estrangeiro na sua casa não é visto com bons olhos. 

    Para mim, viajar assim é muito enriquecedor. Vai além de turistar. Você de fato conhece o local, aprende e cresce. Quando ficamos hospedados em um hotel em casal ou com amigos é muito bom para descansar e desestressar, mas acabamos nos fechando em nós mesmos e não conhecemos nada além de pontos turísticos. 

    Convido vocês a ousar ir além dos óbvio em sua próxima viagem. Converse com locais, prove as comidas que eles comem, ouça as músicas que eles ouvem, se esforce para aprender algumas palavras da língua deles. Você vai se surpreender.

    “Faça amizades com pessoas que não são da mesma idade que você. Saia com pessoas que têm a língua materna diferente da sua. Conheça alguém que não seja da mesma classe social que você. É assim que você vê o mundo. É assim que você cresce.”

    Furto em Santiago e mudança de planos

    Chegou o esperado dia 20 de março. Onde a aventura iria começar. Nós estávamos muito animados pois esta data já estava marcada há mais de um mês. O dia de conhecer o Oceano Pacífico, gente nova, trabalho em hostel super legal na praia Punta Lobos – capital do surf do Chile.

    Chegamos no terminal rodoviário 8:00. Compramos as passagens. Agora era só esperar até 9:15 e embarcar. Certo?

    Mas não seria assim tão fácil. Teria que ter uma emoção. Hahaha

    Pois bem. Leo saiu de perto de mim para comprar um lanchinho e eu fiquei tomando conta das mochilas. Cada um com uma cargueira de 65L e uma menor. Quatro mochilas. Leo voltou com os lanches, nos distraímos por um momento e cadê a mochila dele? A menor. A que continha todo o nosso dinheiro, passaporte do Leo, laptop, chuteira e otras coisitas más.

    Na hora eu me tremi toda. Que desespero. Raiva do Leo por não estar usando a doleira como deveria com o dinheiro e o passaporte coladinhos no corpo (eu achava que ele estava usando e ele não estava). Raiva de mim por não ter dado devida atenção aos meus maus pressentimentos e ter eu mesma tomado conta da mochila (5 minutos antes pedi pra ele por a mochila no colo, ele disse que estava ok e não botou. Eu não quis falar mais nada pois já estava cansada de pedir para ele ser mais cuidadoso e a gente acabar brigando por isso). 

    Leo foi desesperado atrás dos carabineiros. E eu fiquei me tremendo sozinha. Não sem antes jogar um monte na cara dele. Não consegui me controlar. Eu sei que não queria ter que dizer “Eu te falei!”. Na verdade nem precisava. Mas a gente acaba falando, né? Depois me senti mal. Porque passar por isso já é castigo demais. E a gente não precisa ficar jogando nada na cara. Conversamos, nos perdoamos e seguimos em frente.

    E agora. Fazer o quê?

    Primeiro passo foi nos informar com os carabineiros. Eles nos disseram que precisávamos ir até a PDI Extranjería (Delegacia de Policia Internacional). Pedimos ajuda a eles para trocar as passagens por dinheiro. E assim fizemos. Eles também nos levaram até a estação de metro e entramos sem pagar.

    Ligamos pra Rodrigo, meu cunhado argentino, e ele foi com a gente até lá. Chegando nessa PDI a fila era quilométrica. E eu não estou exagerando. Porque lá que os estrangeiros regularizam as suas vidas no Chile. E o que está acontecendo? Todo mundo está vindo pra cá? 

    Cada um informava uma coisa. Primeiro nos disseram que não precisaríamos enfrentar aquela fila. E sim ir direto em um guichê específico. Chegando lá na porta nos informaram que precisaríamos enfrentar a fila. NO F*ckin WAY!

    Foi bom termos levado Rodrigo pois ele sabia que tinha outra PDI menos conhecida no quarteirão da casa dele. Partimos pra lá. Sem fila. Do jeito que eu gosto.

    A esta altura já estávamos mais calmos. Fomos bem atendidos pelo delegado. Prestamos depoimento. Ele preencheu o B.O. nos passou o número da ocorrência. É com este número que o Leo precisava agora ir até o consulado para regularizar a situação dele. Poder sair do país sem problemas. Ele entrou no país com o passaporte, não pode sair sem. Muito menos sem o papel que recebeu na imigração no dia em que chegamos. 

    No Consulado eles deram para o Leo um documento que permite a ele sair do Chile e agora Leo precisa andar com este documento. 

    Acabou que chegando em casa ele viu que a carteira com RG, CPF, Habilitação, Certificado de Reservista não estavam na mochila que foi levada. Menos mal.

    Eu já li muito sobre o assunto “furto em Santiago” e sabia da possibilidade disso acontecer e mesmo assim aconteceu para provar que merda acontece mesmo. E que tem acontecimentos que a gente não pode prever. A gente pode sim tentar evitar. E ser mais precavido. Fica de experiência. Agora duvido a gente dar esse mole de novo.

    O que não te mata te deixa mais forte. De tudo que a gente já passou isso não foi o pior. Eu sinceramente achei que ficaria mais decepcionada. Que demoraria recuperar. Mas em poucas horas nós dois já estávamos sorrindo e buscando soluções.

    Acredito que nada acontece por caso. E procuro ver o lado bom em tudo. Estamos bem, como eu sempre digo, dinheiro a gente recupera. E recupera mesmo. É só trabalhar. Inventar. Reiventar. Sempre em frente. Em busca do nosso bilhete dourado.

    No próximo post eu conto como conseguimos dinheiro e quanto tempo vamos ficar aqui. Ainda podemos ir a Pichilemu, mas talves teremos que procurar um host mais próximo. Precisamos apenss conseguirmos uma graninha para seguir viagem. 

    Eu gosto muito desta passagem da bíblia que fala sobre as preocupações da vida. Sempre que a ansiedade vem eu me lembro que a vida é mais importante que as coisas, que Deus sabe de todas as coisas e que Ele está cuidando de nós com ainda mais amor que cuida das aves e das plantas.

    25 “Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?

    26 Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?

    27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?

    28 “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem.

    29 Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.

    30 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?

    31 Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? ’

    32 Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.

    33 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.

    34 Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.

                                      Mateus 6

    A Chegada e as Primeiras Impressões em Santiago, Chile

    O Chile é lindo. Aqui onde você pode surfar de manhã e esquiar a tarde. Tem pra todos os gostos. Mar, deserto, neve, montanhas, lagos, termas, vulcões. Aqui conto como foi a nossa chegada, o que vimos principalmente no primeiro dia. O que tem de diferente. O que nos impressionou. Nesse comecinho da nossa jornada nômade.

    Chegamos bem cedo no Aeroporto Galeão no dia 5 de março. A passagem do meu pai era para as 15:00h e a nossa para 7:10. Chegamos de madrugada para tentar trocar a passagem dele e assim irmos no mesmo vôo. Quando digo “bem cedo” é beeeeem cedo mesmo! 03:30! O que não adiantou muito, já que o guichê só abriu 4:10. Ele conseguiu trocar a passagem.

    Estávamos bastante ansiosos. Foi a primeira vez que viajamos de avião (eu e Leo). A expectativa de começar a vida nova era (e ainda é) muito grande. Além da ansiedade de ver o meu sobrinho. Então vocês podem imaginar. Fiquei até com dor de barriga. Mas não tive medo em nenhum momento. Só ansiedade mesmo. Vontade de partir. Aquela sensação boa de “Agora falta muito pouco.”

    Embarcamos. Classe econômica. Parecia até que o avião era de vôos domésticos. Bem pequeno e velhinho. Não tinha nem a tela para assistirmos filmes. A gente teria que baixar um app para assistir filmes durante o vôo. Mas eu não queria acabar com a bateria do celular, pois queria fotos da Cordilheira. Sentei na janela e não desgrudei o olho dela. A tela seria essa.

    E a janela não me decepcionou. O Rio de Janeiro de cima é tão lindo. Ver as praias, os morros, as ruas, os prédios, tudo é lindo. Mas o tempo no avião passa tão devagar quanto o tempo na esteira.  Foram as 4h30min mais longas da vida!

    E então chegamos as Cordilheiras dos Andes por volta das 11h. Como não se apaixonar? Que vista maravilhosa! Sonho realizado e sem turbulências. Dá pra ver o contraste das montanhas marrons e os lagos azuis. Um pouco de neve nos topos mais altos. Mesmo sem estar coberta de neve, a Cordilheira é majestosa. A vista mais linda. E, logo depois o avião começa a descer.

    Então a gente já chega no Chile com esse encantamento que vem das montanhas. A descida é a parte mais legal.

    Chegamos.

    A imigração é super rápida, tranquila e sem fila. O agente de imigração faz três perguntas: “Estão de férias?” “Onde vão ficar?” “Qual a sua profissão?”. “Bienvenidos!”. E pronto. Temos nossos primeiros carimbos no passaporte.

    Pegamos as malas e saímos. Rodrigo já estava lá nos esperando para irmos para a casa dele.

    O aeroporto não fica dentro da cidade. Fica a 26km do centro de Santiago. Você tem algumas opções de transporte: ônibus, taxi, Uber, transfer ou van

    Clique aqui para ver todas as opções no site oficial do aeroporto.

    Obviamente escolhemos a opção mais barata. O ônibus. Custa $ 1.700 ou R$ 8,50. Eu imaginava que fosse um tipo de onibus comum. Desses de duas portas e com roleta e que fosse ser difícil ir de onibus com malas. Não é assim. O onibus é até bem confortável pelo valor que é. E tem bagageiro. É como um onibus intermunicipal no Brasil. Como os onibus da 1001, no RJ.

    Descemos no ponto final e caminhamos  sete quadras até a casa da minha irmã. No centro de Santiago (Rua Santo Domingo). Como chegamos num domingo, não tinha tanta gente na rua. A cidade é realmente muito bonita.

    As primeiras impressões:

    Ruas limpas e arborizadas.

    Segurança. Muitos policiais por todos os lados. Aqui eles são chamados de carabineros. Alguns a pé, outros de moto, de carro a cavalo (uns cavalos enormes e lindos de uma raça alemã), outros com cães da raça pastor alemão. Me sinto muito segura aqui. Não existe assalto a mão armada. O máximo que pode acontecer são furtos. Uma pessoa pegar seu celular e sair correndo, por exemplo.

    • Os ônibus são feios e velhos. Ainda nem usamos esse meio de transporte. Até agora (dia 12) só andamos a pé e de metro.

    • O metro é bem sinalizado. Fácil de usar. Mas não tem ar condicionado. Enquanto estamos em movimento não sentimos calor. Mas na estação, sim. A primeira coisa que passou pela minha cabeça enquanto estava no metro foi ” O que eu faço se tiver um terremoto agora?”

    • A água. Ouvi muito sobre como a água aqui é diferente. Confesso que eu esperava que fosse pior. A água é diferente, é mais pesada, tem um gosto estranho. Mas não achei tão ruim. Dá pra costumar. Aqui tomamos água da torneira. Nos dois primeiros dia tive uns revertérios, creio que por conta da água. Não chegou a ser uma diarréia e acabou rápido.

    • O clima. Este sim é complicado. É muito seco. A umidade do ar é muito baixa. Logo na chegada aqui sentimos a diferença. Nariz, garganta, lábios e pele ficam ressecados. O soro fisiológico e a manteiga de cacau são nossos melhores amigos. No começo o ar é pesado. Fica difícil para respirar, principalmente a noite. Leo foi jogar futebol no segundo dia e sentiu uma diferença enorme. Depois de quatro dias eu parei de usar o soro no nariz. Não sei se eu que estou me adaptando ou o clima que já está mudando. A temperatura agora está com máxima de 30°C e mínima de 8°C. De madrugada a temperatura fica mais baixa, de manha também e a tarde ela sobe. O sol se põe depois das 21h agora no verão. Mas esse clima assim tem o seu lado bom. A gente anda, anda e não sua. Não tem aquela sensação de estar suja. Dá até pra repetir as roupas várias vezes, pois elas não ficam com cheiro de suor.

    • Eletrônicos, roupas, calçados são bem mais baratos aqui. Comprei um celular novo na loja da Samsung. O Samsung Galaxy J5 Prime por $ 140.000.

    Frutas são maiores, mais gostosas e mais baratas. O morango principalmente. Aqui além de enorme, é doce.

    • A coca-cola é mais clara. É como um xarope, não é tão doce. Mas até que eu gostei. Dá pra tomar sem muito arrependimento.

    • Aqui encontramos café Haitiano. Não é fácil encontrar café brasileiro. Se encontra café Nescafé instantâneo, mas é caro.

    • Aliás, a comida aqui é muito cara. Carne, frango e ovos são artigos de luxo. Compramos comida lá no Mercado Municipal e fazemos em casa. Isso acaba sendo uma coisa boa. Em uma semana eu já emagreci bastante por conta de estar andando muito e comendo comidas mais saudáveis.

    Vinhos são baratos.

    • Por outro lado, aqui na capital a maioria dos passeios são de graça. Os museus, parque florestal, praças, morros (Cerro San Cristobal e Santa Lucia).

    • O povo é muito silencioso. Eles falam baixo. Já viu uma feira silenciosa? Aqui elas são.

    • Nas praças sempre tem alguém cantando, dançando, tocando flautas chilenas, muitos camelôs que vendem de tudo, cartomantes, pedintes, agentes de turismo oferecendo toda sorte de passeios.

    • Aqui tem uma bebida, o Mote con huesillo. É como um chá com soja e pêssego. Vale a pena experimentar. Vende em quase toda esquina.

    • As empanadas chilenas também são gostosas. Bem diferentes das empanadas argentinas. As chilenas tem menos recheio e tem mais cebola e a massa é mais grossa e tem um gosto adocicado. Gostei. Mas eu prefiro a empanada argentina e a paraguaia, que tem bastante recheio.

    Brechós. Na Rua Bandeira tem um monte de brechós. Você encontra ótimas roupas de segunda mão. Compramos casacos e botas impermeáveis.

    Outlets. Na Rua Huerfanos tem uma loja multimarcas ponta de estoque muito boa (O2). Tênis e roupas novas super baratos.

    • A internet aqui é 4G. Nós compramos chips da operadora movistar por $ 2.000 que na primeira recarga de $ 1.000 já vem com 1G para navegação e 1G para redes sociais, além de 100 minutos para falar.

    Eu e Leo ficaremos na casa de Leila e Rodrigo enquanto estivermos em Santiago (até o dia 20 de março). Meus pais alugaram um apartamento aqui perto e ficarão aqui até o dia 15 de março. Minha mãe veio para cá dia 11, acompanhou o nascimento de Ezequiel e tem ajudado minha irmã desde então. A mãe de Rodrigo também está aqui. O meu sobrinho está cercado de avós e titios babões. Primeiro neto. Estou escrevendo agora com ele no meu colinho dormindo. Mais que apaixonada por ele.

    12/03/2017.

    A partida

    É, gente, o tão esperado momento chegou.

    Foram alguns meses de “planejamento” e uma vida de sonhos. Então vocês podem imaginar como está o meu coração.

    É uma sensação muito estranha notar que agora tudo que eu tenho cabe em uma mochila. Literalmente. Está tudo aqui. Entregamos a casa, vendemos algumas coisas, doamos outras. Afinal são só coisas, não é mesmo? Tudo que é material a gente recupera no futuro.

    A parte mais difícil pra mim foi ter deixado meus animais.  Eu sei que estão sendo bem cuidados. Agora só encontro com eles nos meus sonhos, até que isso me conforta.

    Eu não sou do tipo de pessoa que organiza festa. Avisei aos amigos com uma certa antecedência que estava partindo sem data de retorno e quem pode apareceu para dar um “tchau”. Não foi nada com clima de despedida, graças a Deus.

    Eu odeio despedidas. Eu não sou muito apegada as pessoas, quer dizer, não que eu não ame os meus amigos, eu os amo demais, mas eu meio que me acostumei a estar longe da maioria deles. E é incrível como o tempo passa e nada muda entre a gente. Amizades verdadeiras não acabam, independente da distancia e do tempo que ficamos sem nos ver e até mesmo sem nos falar. Sei com quem eu posso contar. E eles sabem que podem contar comigo.

    Por isso, amigos, não precisam ficar chateados porque pra mim foi mais difícil deixar Frajolinha, Odin e Cachorrinha Sem Nome (meu gato e casal de cachorros – que nem tive tempo de escolher um nome para a menor). Eu os tinha todo dia e toda hora comigo. E eles são lindos e fofos. Muito mais que qualquer ser humano.

    Sei que quem eu tiver que encontrar de novo, encontrarei. Posso voltar a conviver, inclusive. A vida é imprevisível, tudo pode acontecer. E eu estou indo de coração aberto. Essa viagem pode durar meses ou anos. No caminho pode ser até que eu encontre um lugar onde eu queira chamar de lar e fique por ali mesmo.

    Não espero que todos me entendam. Eu sei que esta decisão de ir embora assim do nada parece loucura aos olhos de muita gente. Mas, sinceramente, eu só vejo vantagens. Isso é uma coisa muito pessoal. Cada um sabe do que precisa para viver e ser feliz em cada momento da vida. E, neste momento, eu preciso de novos ares. Eu lembro de ter falado pro Leo no inicio do ano “Eu preciso chegar num lugar onde tudo é diferente, onde ninguém esteja falando português.” e ele respondeu “Eu também.”. Há um tempo atrás eu falei “Preciso dançar.”. E eu dancei. Agora é hora de viajar!

    Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

    Fernando Teixeira de Andrade Poema original de Fernando Teixeira de Andrade.

    Então, meus amigos, não morram de saudades. Aliás, eu não vou deixar que isso aconteça, pois estarei sempre nas redes sociais postando tudo e ajudando quem também estiver com vontade de viajar. Providenciaremos vídeos no Youtube. Estarei sempre aqui para conversar com vocês.

    Com amor,

    Nathalia Elen.

    05/03/2017